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há 6 anos

HOMENAGEM AOS MILITARES DA GUERRA DO ULTRAMAR PORTUGUÊS

Antonio Gonçalves
Homenagem aos Militares da Guerra Colonial Portuguesa
AUTOR: Henry B
A GUERRA DO ULTRAMAR E OS MILITARES

A Guerra Colonial provocou, como não podia deixar de acontecer, efeitos de variada ordem na sociedade portuguesa, que se hão-de revelar decisivos, a médio prazo, para a queda do regime.
A nível político-militar, logo em Abril de 1961, precipitou a tentativa de golpe de Estado liderada pelo ministro da Defesa Nacional, general Botelho Moniz. O seu fracasso reforçou, nos anos imediatos, a posição de Salazar e dos ultras do regime, «ficando a instituição militar entregue aos generais defensores da guerra em África», como assinala Medeiros Ferreira em, «O Comportamento Político dos Militares».
Num plano mais estritamente militar, a intensificação da guerrilha em Angola, o seu alargamento à Guiné, em 1963, e a Moçambique, no ano seguinte, provocou a crescente necessidade de efectivos militares e de graduados para os instruir e comandar.
As maiores necessidades fizeram-se sentir sobretudo no Exército e nos postos de furriel, segundo-sargento, alferes e capitão, uma vez que as operações de contraguerrilha são principalmente conduzidas por pequenas unidades.
Os primeiros eram na quase totalidade milicianos, e o crescimento contínuo dos seus quantitativos fez evoluir a organização militar de um tipo predominantemente permanente para um modelo semimiliciano, o que teve consequências significativas para o evoluir posterior da situação.
Relativamente aos oficiais do Exército do quadro permanente, o principal problema colocou-se na obtenção de capitães para o comando das companhias, uma vez que o acesso àquele posto se processava principalmente através da progressão na carreira militar, e esta era demasiado restritiva e morosa para as necessidades impostas pela guerra. Por força das circunstâncias, os critérios de selecção para ingresso na Academia Militar tornaram-se então mais permissivos e a duração dos cursos, bem como o tempo de permanência em subalterno, foi reduzida a partir de 1965. Mas as expectativas quanto a um maior recrutamento ficaram goradas logo a partir de 1963, dando-se uma inversão da tendência anterior, que culminou, em 1969, com apenas 36 admissões de cadetes, contra 267, em 1962.
O Governo procurou ultrapassar este problema através de medidas de aliciamento dos oficiais milicianos, facilitando-lhes a frequência, na Academia Militar, de cursos especiais com duração reduzida que permitiam a entrada na carreira militar. Complementarmente foi criado, em 1969, um novo «quadro especial de oficiais» alternativo ao quadro permanente e, a culminar este processo de obtenção acelerada de comandantes de companhia, decidiu-se a graduação, no posto de capitão, de oficiais milicianos seleccionados durante a frequência dos respectivos cursos.
As consequências de todo este processo foram, entre outras, a perda por parte do regime do controlo político e ideológico sobre os escalões intermédios da oficialidade do quadro permanente.

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